Pensa que é fácil? – Levar 12 facadas e sair vivo

Acostumado a rodar em viagens tranquilas com os jordanenses, o taxista Jair Lopes da Silva, 74 anos, viveu um pesadelo quando ao final de uma corrida o passageiro sacou o […]

Acostumado a rodar em viagens tranquilas com os jordanenses, o taxista Jair Lopes da Silva, 74 anos, viveu um pesadelo quando ao final de uma corrida o passageiro sacou o facão e começou a golpeá-lo compulsivamente. Foram segundos de pânico em que Jair lutou desesperadamente para desviar a trajetória dos golpes. Apesar dos inúmeros ferimentos, o taxista teve forças para guiar até o Pronto Socorro, onde os médicos se juntaram para socorrê-lo.

Era mais um anoitecer de uma quarta-feira sossegada quando um rapaz pediu que Jair o levasse para casa, na região do Palácio do Governo. Atendendo à instrução do passageiro, o taxista parou numa rua paralela à Av. Alto da Boa Vista. Inesperadamente, o homem tirou um facão da mochila e sem dizer uma palavra armou o primeiro golpe. Numa reação automática, Jair que havia trabalhado por muitos anos como segurança, usou o braço direito para desviar a trajetória das facadas.

O desmaio

Após desferir golpes que atingiram Jair no pescoço, orelha, nariz, face e braços, o homem saiu do carro e ficou alguns minutos do lado de fora, olhando Jair que estava imóvel e coberto de sangue. Foi quando o indivíduo disse que queria o dinheiro da féria. “Só agora você pede isso. Agora é tarde. Estou indo para o Pronto Socorro”, respondeu Jair.

Nesse instante surgiu um carro na rua, o que levou o assaltante a se evadir. Informadas por Jair do que tinha acontecido, a mulher que estava ao volante e a amiga dela disseram que iriam perseguir o agressor. Só que o homem acabou desaparecendo numa mata próxima. Jair, no entanto, tomou o caminho do Pronto Socorro. “Eu rezava para aguentar”, disse.

Já no PS, Jair desmaiou logo que saiu do carro. Num esforço conjunto, os médicos contiveram a hemorragia e realizaram as suturas que resultaram em 72 pontos. Transferido para Taubaté, Jair recebeu sangue e permaneceu internado por oito dias.

Assaltado duas vezes

Nesse meio tempo, a polícia achou na mochila que havia ficado no táxi de Jair uma barra de ferro, uma corda e um currículo no qual constava o endereço do agressor. Ele foi localizado no forro da própria casa e preso.   Quanto a Jair, apesar do conjunto de cicatrizes, ele acabou se recuperando rápido. “A minha sorte foi que a lâmina não perfurou nenhum órgão vital”, assinala.

Essa foi a segunda vez que Jair se viu envolvido numa tentativa de assalto.  A tentativa anterior ocorreu próximo ao trevo de Santo Antonio do Pinhal. O passageiro na época também anunciou o assalto quando ele já estava fora do veículo. Jair reagiu dando marcha a ré na rodovia, o que levou outro motorista a entender que tinha algo errado e o bandido fugiu.

Jair, no entanto, está de volta ao Ponto Jordanense. Nascido em Lorena, ele veio para Campos em 1954. Aqui casou duas vezes e teve quatro filhos. Foi por muito tempo funcionário na rodoviária, emitindo os bilhetes de quem deixava a cidade de ônibus. Depois ainda atuou como segurança em vários condomínios da cidade. É taxista há10 anos. Indagado se algum momento pensou em parar, ele responde convictamente: “Para mim voltou a ser como antes. Só que agora vou sair mais cedo do ponto”, disse.

 

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