Novo presidente do COMTUR diz que o turismo está mudando

“Uma das preocupações do COMTUR é trabalhar pelo surgimento de atrações que combinem oferta de lazer, com a geração de renda e preservação da natureza. Se tivermos mais parques como […]

“Uma das preocupações do COMTUR é trabalhar pelo surgimento de atrações que combinem oferta de lazer, com a geração de renda e preservação da natureza. Se tivermos mais parques como o Bosque do Silêncio, o Tarundu e o Rancho Santo Antônio, o proprietário vai lucrar e estaremos contendo o desordenado crescimento urbano”. Quem diz isso é o novo presidente do COMTUR (Conselho Municipal do Turismo), o consultor ambiental Alexandre Gonçalves, que considera também que Campos do Jordão ingressou em uma fase caracterizada pela atratividade dos polos no entorno da cidade que produzem cerveja, vinhos, artigos em lã natural e propriedades rurais que tem até azeitonas.

Ao falar do que precisa melhorar no plano urbano, Alexandre aponta para aperfeiçoamentos no paisagismo (flores nos canteiros), iluminação pública eficiente, avanços na mobilidade, reforma e expansão da ciclovia, boa sinalização turística e varrição. É com essa visão que no biênio 18/19 o consultor ambiental presidirá o órgão composto de 21 conselheiros que representam setores como os da hotelaria, construção civil, comércio, artesãos, táxis e vans e instituições como AME Campos e FLMA.

COMTUR poderoso

Diferente de outras épocas, a legislação atual fez do COMTUR um órgão poderoso.  Obras de repercussão turística, como a das calçadas por exemplo, ficarão – a partir desse ano – condicionadas à concordância do COMTUR. Ocorre que de consultivo, o COMTUR passou a órgão deliberativo no que se refere à aplicação das verbas liberadas pelo DADE (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias).

Paralelamente, o advento do Plano Diretor de Turismo, que está em elaboração, também fortalecerá o COMTUR. Acontece que o PDT trará uma pauta de ações destinada a facilitar a movimentação do turista e a tornar mais prazerosa a experiência do visitante. Serão ofertadas facilidades que hoje não existem. Nesse sentido, o COMTUR terá o encargo de zelar para que não haja desvio nas prioridades elencadas no Plano.

No compasso das mudanças situa-se o novo Parque Capivari (no entorno da Estação Emílio Ribas). Para Alexandre, trata-se de um prolongamento do calçadão do Capivari. Indagado se esse formato de superpraça não levará à popularização do centrinho, o presidente do COMTUR diz que não há sentido em sustentar a elitização dos espaços. “Há uma diversidade de público e o importante é ter equilíbrio”, afirma. Na verdade, o centrinho foi por muitas décadas o local onde a nata dos frequentadores da cidade se encontrava, algo que visivelmente mudou após a implantação do calçadão.

Novas áreas de interesse turístico

A par disso, o presidente do COMTUR considera que está em curso uma mudança comportamental, atrelada a atrativos localizados fora do eixo central. “É visível o interesse crescente dos turistas por roteiros como Horto, região do Toriba e Pedra do Baú”, diz. Comparativamente, ele lembra que houve a fase em que o Elite e o Senadinho eram restaurantes festejados. Depois vieram os restaurantes de cozinha europeia e agora chegou o momento do encontro de identidade com as coisas criadas na Mantiqueira. Trata-se de uma referência à gastronomia (que passou a valorizar os produtos locais) e à produção de itens que, pela sua natureza, despertam forte interesse turístico como as microcervejarias, pequenas vinícolas, plantações de azeitonas e de frutas vermelhas e artesanato de lã natural.

Nesse sentido, uma das tarefas do COMTUR, segundo Alexandre, é fazer gestões permanentes junto à Prefeitura, para que as vias de interesse turístico que levam a esses polos estejam sempre sinalizadas e bem conservadas. Ainda na visão dele, muitos outros polos de entretenimento podem surgir por conta das restrições ambientais, que desencorajam os proprietários a apostar em empreendimentos imobiliários. Além disso tais áreas podem ser fonte de lucro, com a configuração das mesmas em atrações similares ao Bosque do Silêncio, Tarundu,  Rancho Santo Antonio, Lavandário (Pico do Itapeva). “E o melhor: a cidade se livra de mais loteamentos”, assinala.

Bondes e bilhete único

Outro aspecto que, conforme Alexandre, precisa ser melhor explorado se refere ao ciclismo. “O potencial da cidade como destino nacional de ciclistas é imenso e envolve uma cadeia que precisa estar preparada para atender esse público”, observa. Nesse ponto ele é enfático em assinalar que a cidade precisa ter uma grande ciclovia, com piso adequado, iluminação, com gradis e bem sinalizada.

A ciclovia bem estruturada é essencial também para viabilizar algo que Alexandre defende entusiasticamente: a utilização maciça das bicicletas como meio de transporte. De encontro ao que já prescreve o Plano Diretor, ele também advoga que os bondes sejam utilizados para servir a população, inclusive com a criação do bilhete único.

Ensinamentos para as novas gerações

Quanto ao futuro da cidade, Alexandre assinala que ele será melhor se as jovens gerações receberem ensinamentos que as faça entender o quanto o turismo é importante na vida deles. “Ao invés de contemplar o aluno com uma viagem de bonde, por que não usar esse passeio para dar uma aula sobre o surgimento da ferrovia e explanar como ela é impactante no lazer do turista e na economia da cidade?”, exemplifica.

Ainda no campo da Educação, ele pondera que Campos poderia dar um salto na qualidade dos serviços oferecidos, se o SENAC e o IFE criassem cursos que realmente atendam às necessidades do mercado. “Creio que cabe a nós apontar os cursos que são efetivamente importantes”.

Natal: veio para negócios

Por fim, o presidente do COMTUR entende que o Natal se mostrou um importante veio de negócios que pode crescer enormemente, e por isso precisa de uma gestão profissionalizada. Ele faz três observações: diz-se grato pelo o que a Fundação Lia Maria Aguiar fez nos últimos anos, ressalta que as paradas foram a demonstração inquestionável de que os turistas querem encontrar espetáculos desse tipo e destaca que é preciso ter profissionais encabeçando os eventos de Natal. “Hoje três pessoas cuidam de tudo. Se duas desistirem, acabou”, avalia.

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