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Dicas ilustradas do tabelião, para proteger você.

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Disposto a mostrar para as pessoas como elas podem se prevenir de arapucas nos negócios, evitar transtornos advindos de relacionamentos e até se resguardar perante detratações, o tabelião Arthur Del Guércio Neto decidiu explicar tudo num livro. O fez de uma maneira despojada, como se fosse um “contador de causos”. Bem resumida, a obra apresenta instrumentos que ajudam a garantir direitos e assegurar reparações. Embora possua um vasto conhecimento jurídico, o tabelião adotou um linguajar informal estampado em textos criativos, muito fáceis de serem entendidos.

Exemplo precioso dado por ele é o dos e-mails trocados na realização de negócios, que acabam não se realizando conforme o combinado. Em casos como esse, ensina, o ideal é se registrar os fatos numa ata notarial. O mesmo recurso tanto se aplica a reuniões desmarcadas por SMS como a detratações sofridas na internet, por exemplo. Isso facilita o caminho para uma reparação financeira.

Algumas dicas surpreendem. É o caso do contrato de namoro. Pode parecer banal, mas se trata de um escudo patrimonial para o caso de rompimento. Isso porque uma das partes poderia pedir reconhecimento de união estável e aí ter início uma batalha.

Arthur ainda ensina como funciona o protesto e relaciona tudo o que pode ser protestado. Bom cronista, resgata histórias divertidas, algumas vivenciadas em Campos, onde comandou o cartório de notas e protesto de títulos por quase sete anos. Numa das passagens a personagem é uma senhora que tem um patrimônio considerável. Sofrendo com a indiferença da família, ela vai ao cartório e lavra um testamento em favor da única pessoa que a preenchia, o namorado. Mas o amor se transforma em decepção e a “senhora namoradeira” revoga o testamento e faz outro, contemplando um novo namorado.

O livro traz ainda uma seção de quadrinhos, no qual os personagens dão vida a situações que explicam os serviços mais relevantes prestados num cartório. O livro “Contos e Causos Notariais” (editora YK) tem 98 páginas e pode ser comprado em sites como o das lojas Americanas (preço médio R$ 24,00). Todo o montante relativo aos direitos autorais será revertido a entidades assistenciais, como a APAE de Campos do Jordão.

Para ver mais acesse o www.blogdodg.com.br

Malú Donato: A fada e sua varinha mágica, de transformar ambientes em fantasia

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Campos  ainda vivia a fase dos sanatórios, quando os pais de Malú Donato se mudaram para as montanhas. Estavam em 1946. Ela tinha apenas cinco anos. A família foi morar na Lagoinha. Lá habitariam uma propriedade formosa, o sítio Pinho Bravo. Na verdade, a família veio para Campos porque o pai de Malú tinha conseguido o emprego de caseiro nesse sítio.

Os anos se passaram. Malú, já na casa dos 20, tornou-se corretora da Cadij, transferindo-se mais tarde para a extinta Imobiliária Dourado. Também nessa época, a participação num concurso de miss atraiu-lhe os olhares de um fotógrafo com jeito de lorde, chamado Orestes Donato.

Donato viera de São Paulo para tratar-se de uma tuberculose. Curado, não só começou a estender raízes em Campos, como acabou se casando com Malú. Com uma boa formação, Donato havia sido projetista da Aeronáutica. Dando aplicação aos  conhecimentos que possuía, ele passou a elaborar projetos arquitetônicos para a antiga Copel e um pouco mais à frente migrou para a Fausi & Cesário. Já na convivência com Malú, Donato se revelaria o porto seguro e o braço direito dela em todas as situações.

Dos terrenos para os móveis

Ainda na imobiliária, Malú mantinha a rotina de apresentar terrenos aos turistas.  Certo dia apareceu por lá um amigo do sr. Dourado, chamado Henri. Em contraste com o  gosto sofisticado dele, as instalações simples o desapontaram tremendamente. Por conta própria, decidiu   remodelar a imobiliária. De São Paulo, enviou um lote vistoso de móveis que de tão elegantes passaram a chamar a atenção dos turistas. Isso a ponto de muitos perguntarem onde poderiam comprar uma mobília parecida.

Reportando isso a Dourado, Malú foi instruída a contatar Henri a quem narrou  as mesmas coisas. Vendo ali um mercado promissor, Henri comprou o ponto da Dourado, e abriu ao lado da Praça São Benedito, a legendária Henri Matarasso.

Peça chave da loja, Malú se viu às voltas com o desafio de criar ambientes, desenhar, compreender variações de luz, aproveitar espaços. A fim de se qualificar, passou a ir a São Paulo onde recebia explicações de quem fazia isso todo dia. Nas idas e vindas conheceu Dirceu Almeida, que viria a se tornar o gerente dela algum tempo depois.

 

No lugar e na hora certa

 Em meio ao boom imobiliário dos anos 70, a Henri atravessou a década oferecendo suporte aos proprietários que investiam alto em casas belíssimas, as quais precisavam de uma loja com  estatura suficiente para fornecer-lhes a mobília adequada. Todavia, numa dessas reviravoltas imprevisíveis, Henri decidiu reestruturar os negócios e optou por fechar a loja de Campos. Ao saber disso, Malú reagiu: “Eu compro”.

Faltava o dinheiro. Foi aí que um irmão de Donato apresentou-lhe um amigo, Yugo Nakamura. Ele topou fazer o investimento. Num momento marcante, a fachada da Henri Matarasso ganhou uma nova placa, com a seguinte inscrição: “Malú Decorações”.

A responsabilidade cresceu, pois agora ela tinha funcionários, despesas administrativas e havia o desafio de mostrar resultado ao sócio-investidor. Malú virou uma faz-tudo: atendia clientes, criava projetos – nos quais Donato sempre colaborava –, tirava pedidos, conferia mercadorias, embrulhava pacotes, carregava móveis. Houve até uma vez que ela se sentou ao volante de um caminhão.

Mais forte que as grandes grifes

Muitas vezes com o relógio avançando pela noite, também era Malú que fechava o caixa, fazia as contas e preparava o balanço. Realizava todas essas tarefas com uma dificuldade que passava em branco às pessoas. Era portadora de discalculia, não diagnosticada e da qual ainda pouco se falava.

Mas tanto esforço teve sua recompensa. Atraídos pela classe, bom gosto e a presença cativante de Malú, ela sempre conseguia a preferência de um segmento altamente seleto. Isso a permitiu capitalizar-se e comprar a parte que pertencia ao sócio.

No correr dos anos Malú ampliou a loja e novamente atingiu um feito: posicionou-se à frente de grifes renomadas, que plantaram filiais na cidade. Na verdade, o nome Malú tinha se transformado numa marca – tão forte que transcendia a própria loja. Sua varinha de condão transformava os ambientes em mágicos.

Mas, a exemplo de empreendimentos memoráveis que desaparecem depois de marcar época,  a loja de decorações cumpriu o seu ciclo. Fazia muitos anos que Malú não tinha mais a seu lado o companheiro Donato. Também perdera o vigor de antes. Assim, após meio século escrevendo o próprio nome num mesmo local, ela se afastou. Há duas semanas, um grupo de funcionários desinstalou o lustre que fora do velho e romântico Grande  Hotel. Foi o ato final de uma loja que irá para os anais da história jordanense.

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