Loja única no Brasil, é sucesso

Superapreciados no hemisfério Norte, os artigos de pluma de ganso deram fama à Mamãe Gansa. São peças elaboradas em formatos e tamanhos definidos pela proprietária Sônia Azevedo. Mas é a […]

Superapreciados no hemisfério Norte, os artigos de pluma de ganso deram fama à Mamãe Gansa. São peças elaboradas em formatos e tamanhos definidos pela proprietária Sônia Azevedo. Mas é a combinação das plumas a outros elementos da loja conectados a hora de dormir, que fazem a Mamãe Gansa ser vista como a boutique do sono perfeito. Ainda nos anos 90, Sônia tentou ter uma fábrica de plumas, mas retrocedeu face às negativas do Poder Público. O fato é que a Mamãe Gansa consolidou um perfil que consegue atrair sobrenomes ilustres e é visitada inclusive por artistas.

Quando se mudaram para a montanha 25 anos atrás, Sônia e o marido quiseram montar um negócio que não concorresse com quem já estava na cidade. “Pensamos muito e um dia lembramos da noite de sono que tivemos na Europa em meio às plumas da nossa cama”. Nasceu ali a ideia da loja.

A fábrica que não deu certo

O ano era 1995. A Mamãe Gansa abriu as portas em frente ao Shell Scófano oferecendo edredons e travesseiros trazidos da Dinamarca. Em 1999 a loja já estava instalada no Capivari e a disparada do dólar forçou Sônia a interromper a importação. Indo atrás de quem fizesse os edredons e travesseiros, ela encontrou um fabricante paulista que topou a empreitada, importando ele mesmo as plumas da Alemanha. “Também trouxemos o tecido, que é especial e não tem no Brasil”. Aliás, nada que se compara à maciez e à densidade das plumas, que além de manter a temperatura do corpo, recebem tratamentos que as imunizam de ácaros, bactérias e fungos.

Nessa época de escalada do dólar, a empresária se dispôs a produzir ela própria os artigos de pluma. Comprou o galpão de uma antiga marcenaria, mas a Prefeitura negou a licença com o argumento de que a Volta Fria não era zona industrial. “Se a fábrica tivesse vingado, hoje eu estaria abastecendo a loja e vendendo para o Brasil inteiro”, assinala.

Contudo, a parceria com o fabricante paulista assegurou a confecção dos artigos em tamanhos tradicionais e também em medidas que só existem na Mamãe Gansa. É o caso do travesseiro para cama king size 50 por 90, do travesseirinho de plumas para berço e da capa para colchão com plumas. “Faço do jeito que o cliente pedir”, afirma Sônia.

O segredo de garimpar os produtos   

Indo além das plumas, Sônia vive garimpando produtos em Santa Catarina como pantufas (forradas com pelo ou no formato botinha), chinelo de quarto (uns 10 modelos) e pijamas que, segundo ela, são os melhores do mercado e têm preço de dar inveja às lojas populares. Do Rio Grande do Sul ela traz um robe inigualável. “É grosso, bem feito, maravilhoso!” Há ainda pano de prato bordado em Minas Gerais, reproduzindo o portal da cidade e lençóis elétricos. Os de tecido são de algodão egípcio e começam em 200 fios (R$ 565,00 o jogo de casal). Têm também os mais em conta, de malha (280,00), que não precisam ser passados. “Vendo qualidade para não ter reclamação”, diz ela.

Mas foi preciso uma conjugação de fatores para que a Mamãe Gansa se tornasse conhecida nacionalmente: qualidade, persistência (“já passei muitos perrengues”), investimento (“muito”), investindo numa divulgação eficiente “o Guia me dá muito retorno”

Clientes que chegam com escolta

Um fato ajuda a medir esse reconhecimento. Certa vez rolava uma feira escandinava e uma amiga de Sônia antenou quando um homem falou para o amigo não levar as plumas que o haviam seduzido. “Compra em Campos do Jordão numa loja maravilhosa que tem lá e é mais barato”, aconselhou.

Ao passo que 90% dos clientes da Mamãe Gansa correspondem à pessoas que têm casa em Campos, é comum hóspedes dos hotéis e pousadas de alto gabarito visitarem a loja depois de dormirem com artigos de pluma.  O aconchego gerado pelas plumas é também o vetor que levou a Mamãe Gansa a conquistar clãs como Baumgarten, Ermírio de Moraes, Maluf e outros. Quem também costuma visitar a Mamãe Gansa são os artistas. Um dos últimos a passar por lá foi o humorista Nelson Freitas. Já a atriz Luiza Tomé recheou a casa com produtos da loja.

Há também os anônimos que despertam tanta atenção quanto as celebridades. É o que ocasionalmente acontece quando uma cliente, já de certa idade, chega à loja com as amigas sob forte escolta. Um carro com os seguranças para na frente e outro fica posicionado atrás.

“Não tenho ideia de quem seja, mas me sinto prestigiada com a presença dessa senhora”, diz Sônia. Não é para menos. Afinal quem não se lisonjearia em atrair a atenção de quem está habituado a ter qualidade máxima sempre?

(Ricardo Castelfranchi e Roberto Bretanha)

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *