Corretores de plantão: abrindo as portas de Campos do Jordão

  Poucos profissionais em Campos do Jordão mergulham tão fundo nas expectativas e emoções dos clientes quanto o corretor, que se engaja no sonho do turista de ter uma casa […]

 

Poucos profissionais em Campos do Jordão mergulham tão fundo nas expectativas e emoções dos clientes quanto o corretor, que se engaja no sonho do turista de ter uma casa no campo. “Pessoalmente, carrego uma responsabilidade enorme. Não é um carro que estou vendendo. É uma casa, o centro de tudo”, diz Artur Roscia, da Muratori Imóveis. Dono de outra grande imobiliária, Marco Muratori faz uma observação similar: “Mesmo que o cliente esteja atraído por um imóvel, se vejo no perfil dele que lá na frente a casa não irá agradá-lo como ele imagina, interfiro e mostro outras possibilidades”. É uma visão compartilhada por Wilson Nicolau da Cadij e por José de Oliveira da Opção Imóveis.

Englobando lançamentos e boa rotatividade num mercado de onze mil casas de veraneio, o mercado jordanense de imóveis movimenta dezenas de milhões de reais todos os anos. Tendo a missão de consultores, o corretor lida atualmente com clientes que já conhecem o produto de antemão e que colocam de lado atrativos como o jardim fabuloso, a arquitetura sedutora, a vista maravilhosa e o preço de ocasião e têm priorizado a segurança dos condomínios,

Neurose com a segurança

Diferente dos tempos da “venda por painel com fotos”, o investidor atual, segundo Artur Roscia, se tornou um pesquisador que sonda, compara e analisa.  Embora, segundo ele, o potencial comprador já venha imbuído de um encantamento pela cidade, os interesses voltam-se quase sempre para os condomínios, incluindo edifícios. “Qual o sentido de uma pessoa preferir um apartamento a uma casa? Mas é o que está acontecendo atualmente!”, diz Artur.

O fato é que a neurose coletiva causada pela sensação de insegurança mexeu com o comportamento dos compradores. “Têm imóveis maravilhosos à venda, mas as pessoas descartam por serem casas de rua. Trabalhamos na imobiliária para desfazer essa percepção distorcida, mostrando que a cidade ainda é tranquila”, observa Artur. Segundo ele, as pessoas se condicionaram a estar em locais fechados e com vigilância contínua e por isso relutam em se abrir para o perfil tradicional das casas fora de condomínio, que podem ser uma ótima opção. O corretor tem que buscar a satisfação duradoura. Quem se afoba e só fica enxergando cifrão corre o risco de ver o cliente desgostoso, que sai falando mal”, pondera.

Já Marco Muratori afirma que, além da segurança, a preferência pelos condomínios está relacionada à comodidade de poder transferir para uma administradora os afazeres relacionados à manutenção da casa. “A pessoa não quer um caseiro ligando para resolver isso ou aquilo”, diz. Apesar disso, Marco observa que também faz um trabalho intenso até se certificar que o cliente ficará feliz com o imóvel. “O objetivo é reduzir ao máximo a chance de erro”, assinala.

Discordando do cliente

Ainda conforme Marco Muratori, há “um componente artesanal” na corretagem feita em Campos. Tudo é explicado não só quanto ao imóvel, mas referente também à região em que ele se situa. “Por isso, a forma que nós consideramos ideal de trabalhar é aquela em que podemos ficar quatro dias com a família, mostrando tudo que se encaixe no perfil dela”. Ainda segundo Muratori, nem sempre ele – como dono de imobiliária – concorda com tudo que o cliente acha. “Aprendi com meu pai que se a escolha do comprador não for a melhor para ele, eu tenho que abrir o jogo e dar o alerta. Isso traz confiança”, diz.

À frente de outra tradicional imobiliária de Campos, a Cadij, Wilson Nicolau enfatiza que o comprador contemporâneo é superinformado e, mesmo as pessoas de mais idade, prospectam na internet a casa que reflete o sonho delas. “Quando essa pessoa senta conosco ela praticamente já sabe tudo do imóvel e às vezes viu até tomadas aéreas feitas por drones”, salienta. Ele assinala, porém, que mesmo estando bem informado, o cliente não possui a visão conjuntural da cidade e que isso sobra ao corretor experiente. Esse atendimento faz toda a diferença, pois sempre há inconvenientes ou vantagens que o comprador desconhece.

Ainda um paraíso

Mesmo atuando em um segmento de imóveis voltado aos jordanenses, José de Oliveira, da Opção, também se habituou a atender compradores bem informados. “Óbvio que eu tenho que conhecer a fundo o produto, inclusive no que se refere às perspectivas futuras do imóvel”, destaca. Assim, mesmo que o cliente domine aspectos técnicos relativo às construção e à topografia, falta a essas pessoas um conhecimento mais amplo da cidade. “Tento descobrir o que ele conhece de Campos, qual a óptica dessa pessoa e a partir daí vou ser o piloto da situação dando as coordenadas de cada região”.

José destaca que é nas conversas e nas visitas conjuntas aos imóveis que o cliente realmente começa a entender a cidade. “Essa pessoas vêm traumatizadas com o violência nos grandes centros e me sinto um relações públicas falando das coisas boas de Campos, que apesar de tudo continua um paraíso. Explico que a expansão urbana segue num ritmo que não agride a natureza”, conclui.

(Ricardo Castelfranchi e Roberto Bretanha)

 

 

 

 

 

 

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