Caminhoneiros em Campos dizem que greve continua

Caminhoneiros estacionados ao lado Portal afirmaram na manhã de hoje que a paralisação continuará até que haja a redução efetiva do preço do diesel nas bombas, num valor maior que […]

Caminhoneiros estacionados ao lado Portal afirmaram na manhã de hoje que a paralisação continuará até que haja a redução efetiva do preço do diesel nas bombas, num valor maior que os R$ 0,46 anunciados pelos governo. Uma das consequências disso é que continuará a faltar combustíveis no decorrer de toda a semana. “É um impasse nacional e mesmo que a situação se resolva na terça ou quarta – com um novo acordo –, serão necessários pelo menos dez dias até que a questão dos combustíveis se normalize”, disse o líder do movimento em Campos, Claudemir Gonçalves. Ou seja, a projeção para o feriado de Corpus Christi é de pouco movimento.

Claudemir lembra que após se chegar a uma solução, serão necessárias inúmeras viagens de caminhões tanques até que os postos fiquem devidamente abastecidos. Atualmente, só conseguem trafegar os caminhões tanque que contam com escolta. Foi essa a solução buscada pelo prefeito de Botucatu, que requisitou o apoio da PM para acompanhar os caminhões até os postos de combustíveis. Chegamos a contatar o secretário de Turismo, José Carlos Carvalho, para saber se alguma iniciativa similar havia sido tomada em Campos, a fim de se evitar o pior no feriado, mas ele disse que não iria falar.

Equipamentos de shows retidos

Segundo Claudemir, para chegar num nível que atenda a expectativa dos caminhoneiros, a redução deveria ser de R$ 0,70 por litro de diesel. O governo anunciou R$ 0,46. O movimento local dos caminhoneiros segue a orientação do comando regional que está sediado em Barra Mansa  (RJ). No terreno conhecido como pátio dos rodeios estão cerca de 80 caminhões. Outros 40 deixaram a cidade sem descarregar a carga que haviam trazido. Em sete dias, apenas dois caminhões furaram o bloqueio ao lado do Portal.

É ali no pátio no rodeio que estão três veículos carregados com equipamentos que subiram a serra para ser empregados em shows em casas noturnas do Pico do Itapeva e Alto da Boa Vista. “Há uma pressão feita por advogados que querem que os equipamentos saiam daqui, mas estamos numa democracia e os caminhoneiros só sairão para atender essa solicitação se houver uma ordem judicial”, disse Claudemir.

A aglomeração de caminhões se iniciou na terça, dia 22. O pátio do rodeio – junto ao portal – se tornou uma espécie de acampamento e os caminhoneiros foram fortemente apoiados pelos jordanenses, que passaram a oferecer refeições prontas, frutas, pães e até café para os manifestantes. Alguns itens como frutas chegam a sobrar e são remanejados para asilos.

Apoio dos jordanenses

A acolhida calorosa surpreendeu os caminhoneiros de outras cidades. Cooptado quando ia retornar para São Paulo com equipamentos de palco retirado do Grande Hotel, Sidney Giglio diz que a única dificuldade enfrentada por ele foi o frio e uma dor de garganta. “Meu caminhão não tem revestimento, então tive que passar boa parte das noites ao lado da fogueira”, disse. Já o produtor rural Moacir Vicente ia de Marmelópolis para o Vale do Paraíba quando foi parado no Portal. “Não tem jeito das coisas continuarem como estão, com o diesel nessa altura. Parei por aqui para fazer minha parte na manifestação e descobri uma população nota mil”, disse.

Dono de uma carreta de seis eixos, o jordanense Luis Carlos da Silva trocou o conforto de casa pelo terreno aberto ao lado do Portal. “Esse é um movimento responsável, por isso não arredamos o pé daqui até que haja uma solução definitiva”, afirmou. Assim , ele e vários outros caminhoneiros jordanenses fincaram as bases ao lado do Portal, onde atravessam as noites.

 

 

 

 

 

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