Arte no Brita: Garrafas que se tornam úteis

Paulo Roberto Rodrigues Silva  sempre manifestou uma conexão forte com os vidros. Garrafas vazias eram objetos a serem trabalhados, para virarem copos, arandelas e até abajur. Avançando de estágio, Paulo […]

Paulo Roberto Rodrigues Silva  sempre manifestou uma conexão forte com os vidros. Garrafas vazias eram objetos a serem trabalhados, para virarem copos, arandelas e até abajur. Avançando de estágio, Paulo acabou se imiscuindo na arte de lapidar folhagens e formas geométricas em peças como jarros e vasos. Em Campos ele trabalhou na composição das luminárias do restaurante Cine Bistrô (Hotel Estoril) e foi o responsável por recuperar os pendentes da Choperia Baden Baden.

Foi andando pelas ruas de São Paulo que o jovem Paulo, então com 20 anos, sentiu o impulso de dar um destino nobre para as formas elegantes uma garrafa largada no chão. Consultou outras pessoas que gostavam de fazer experimentos com vidro e, na base do velho esquema tentativa-erro, criou um vaso de aspecto atraente, que rendeu elogios e acabou vendido. Começava assim um ciclo de produção. A matéria prima era sempre uma garrafa que dava origem a cinzeiros, copos de cores e formas diferentes e porta guardanapos.

O lapidador

Sentindo-se motivado a produzir peças mais elaboradas, Paulo conta que o impulso para aperfeiçoar os objetos artísticos resultou de um encontro casual com o mestre lapidador Luís Barreto Sobrinho, que passou a transmitir cotidianamente sua técnica a Paulo.  “Essa é uma técnica que se aprende no contato direto com antigos mestres. Você vai aprendendo gradualmente, passo a passo. Esse processo de formação dura em torno de 12 anos”, diz.

E assim levou seu trabalho para ser exposto na Praça da República, naquela que era até então a maior feira de artesanato do mundo, tendo consigo um portifólio de peças criativas e bem trabalhadas. Foi uma fase dourada que se se prolongou entre 1978 e 1982.  Progredindo para um novo estágio, Paulo decidiu fundar uma empresa de decoração que processava garrafas numa escala industrial – a Kacu’s -, que vendia as peças para o Brasil todo.

Paralelamente, Paulo fazia um trabalho voluntário com os presos na Casa de Detenção, o que gerou uma nova motivação. Isso serviu de ponte para Paulo trazer esse trabalho voluntário para Taubaté, onde passou a atuar numa casa especializada na recuperação de jovens, que haviam se tornado dependentes químicos.

Já morando no Vale, Paulo acabou se relacionando com vários antiquários e também atendia os clientes enviados por vidraçarias, que buscavam alguém para decorar móveis antigos, através da lapidação dos vidros. Peças com potencial de se tornarem pomposas, ganhavam detalhes em baixo relevo e outras – que tinham sofrido algum dano – também eram recuperadas por Paulo.

Matéria prima na reciclagem

Em 2005 Paulo decidiu se mudar para Campos. Logo que chegou fez uma exposição que não gerou a repercussão desejada. Conhecendo as peculiaridades da cidade, decidiu voltar às raízes e se concentrou novamente em fazer peças a partir de garrafas usadas.  Foi nesse momento que ele criou o projeto Nomexcelência, que se destina basicamente a transformar em copos as garrafas das cervejas locais e também da Minalba. O projeto é tocado juntamente com o filho dele, Josué, que cuida da divulgação e captação de recursos.  Começou também a garimpar objetos nos pontos de reciclagem, que pudessem oferecer matéria prima para peças artísticas.

Com um ferramental específico, que inclui até uma invenção própria, Paulo voltou a produzir objetos como copos, arandelas, vasos, porta-guardanapos e castiçais. Numa escala menor, ele também segue fazendo as gravuras em baixo relevo em itens como licoreiras, potes, taças comemorativas, vasos e saladeiras. A venda é feita em lojas de lembranças e por um canal que ele mantém no You Tube, o Paulo Roberto I – Minha Sobrenatural História, que soma 69 mil visitas.

(Ricardo Castelfranchi e Roberto Bretanha)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *