O Festival de Inverno de Campos do Jordão, está intrinsícamente ligado à história do Palácio Boa Vista de Campos do Jordão. Em 1967, o então Governador, Abreu Sodré, resolve abrir as portas do Palácio Boa Vista para o público, dando maior utilidade à residência oficial de “veraneio” do governo do Estado. Cria uma comissão incumbida de propor sugestões para a instalação de um “Museu de Mobiliário Histórico e Artístico Brasileiro”, particularmente colonial. Em maio de 1969, Abreu Sodré cria o órgão de aproveitamento do Palácio Boa Vista, o GEAPAC. Foi escolhido como coordenador do órgão, o Secretário de Fazenda do Estado: Dr. Luis Arrobas Martins.

Em maio de 1969, como primeira medida, pede a reforma do prédio para fazer a decoração e escolhe como equipe de trabalho: Sylvia Sodré Assumpção, Oswald de Andrade Filho, Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro Neto, Marcelo Ciampolini, Paulo Mendes de Almeida e sua esposa, Da. Alicinha Arrobas Martins.

O Palácio ficou fechado de dezembro de 1969 à fevereiro de 1970.

No dia 12 de abril de 1970 o Governador Abreu Sodré, em cerimônia solene, declara o Palácio Boa Vista “MONUMENTO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO”, e abre suas portas para visitação, nos moldes dos castelos e palácios europeus.

O coordenador, Dr. Luis Arrobas Martins, para comemorar a nova fase do palácio, resolve fazer um evento, nos moldes do Festival de Mozart, de Salsburgo, Áustria.

E idealiza a realização do: “PRIMEIRO CONCERTOS DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO”, para a direção musical do evento, convida os maestros Camargo Guarnieri e João de Souza Lima que permanecerão até 1973.

O evento acontece no Salão Nobre e no Páteo Interno do Palácio e, teve como programação:

24/07/197020h30Recital de Abertura – Magda Tagliaferro.
25/07/197011h00Ars Barroca
16h00Sexteto do Rio
20h30Natan Schwartzman – violinista
26/07/197012h00Missa de São Sebastião – Coral Crioulo e Madrigal das Arcadas. Regente: Diogo Pacheco, na Igreja de Capivari
20h30Turíbio dos Santos – violonista
27/07/197020h30Cussy de Almeida – violinista
28/07/197020h30Concêrto à Luz de Velas -Cravista – Helena Hollnagel
29/07/197020h30Recital de Canto – Edmar Ferreti
30/07/197020h30Maria Vischinia – Recital de Violino
31/07/197020h30Conjunto de Metais de São Paulo – Regente: Walter Lourenção
01/08/197011h00Conjunto Ars Viva – Regente: Klaus Dieter Wolf
16h00Orquestra Sinfônica Municipal – Regente: Ernest De Bour – Solista: Laís de Souza Brasil. Pianista acompanhador: Cláudio de Brito

1971: No governo de Laudo Natel e como Diretor Artístico o poeta Paulo Bonfim, fogem da idéia inicial de concertos eruditos, mesclando com música popular. Numa noite, Guiomar Novaes tocando Choppin e na noite seguinte Inezita Barroso, com a noite do Folclore.

1972: Ainda no governo Laudo Natel, devido as comemorações do Sesquicentenário da Independência, esqueceram-se do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Tal foi a reclamação de turistas e moradores, que resolveram fazer um pequeno evento, que se chamou: “MOMENTOS MUSICAIS – JULHO – 1972”, com três concertos, sob a direção do Maestro Walter Lourenção.

1973:O festival foi organizado do primeiro ao último dia de julho. E foi criado o “CENTRO DE CULTURA MUSICAL”, sob a direção do Maestro Eleazar de Carvalho. Além dos concertos no palácio, aconteceram as primeiras oficinas de música, com mais de 300 bolsistas, que tiveram aulas com músicos renomados nas salas de aulas dos colégios da cidade.

1974: Final do governo de Laudo Natel, o Festival não foi realizado, apesar das reclamações do público.

1975: No início do governo de Paulo Egydio Martins, novamente sob a coordenação de Luis Arrobas Martins, o Festival acontece no mês de julho, voltando às origens: música erudita. Nesse ano, decidem que o Festival deveria sair do palácio e ter sede própria. E iniciam a busca de um terreno para se construir não só a sede do Festival, mas que servisse também como centro de convenções.

1976: O Festival passa a ser coordenado pela Secretaria de Cultura do Estado, tendo como Secretário Max Feffer, governo Paulo Egydio Martins. O terreno encontrado é perto do Palácio Boa Vista, num dos locais onde a vista do “por do sol” é de uma beleza rara.

1977: O Festival acontece no Palácio, governo Paulo Egydio Martins, com Max Feffer e com a coordenação dos Maestros Eleazar de Carvalho e Walter Lourenção. No dia 03 de julho de 1977, morre Dr. Luis Arrobas Martins, idealizador do maior evento musical do Brasil: Festival de Inverno de Campos do Jordão.

1978: Em março de 1978, é assinada a lei No. 1.561, assinada pelo então Presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Sr. Natal Gale, que o festival passaria a ser chamado: “FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO – Dr. LUIS ARROBAS MARTINS”. O festival acontece pela última vez, no Palácio Boa Vista de Campos do Jordão. Nesse mesmo ano, a artista plástica e escultora, FELÍCIA LEIRNER, doa toda sua obra ao Governo do Estado de São Paulo, criando-se no mesmo espaço onde estavam construindo o Auditório, sede do Festival, o “MUSEU FELÍCIA LEIRNER”.

1979: No dia 10 de março de 1979, é inaugurado o MUSEU FELÍCIA LEIRNER, no final do Governo de Paulo Egydio Martins e para a abertura, é convidada a Orquestra Sinfônica Estadual, sob a regência do Maestro Eleazar de Carvalho, na área do terreno onde estava sendo finalizado a construção do Auditório de campos do Jordão. O concerto foi ao ar livre, às 15h30. No dia 12 de julho de 1979, é inaugurado o Auditório de Campos do Jordão, com o FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO – Dr. LUIS ARROBAS MARTINS”, já no Governo de Paulo Salim Maluf, tendo como convidado especial, o então Presidente da República, João Baptista Figueiredo. Era o Secretário de Cultura, Cunha Bueno.

1980 à 1982: O festival aconteceu no governo de Paulo Salim Maluf. E num dos concertos, o Governador Paulo Maluf, mostrou seus dotes musicais, fazendo uma apresentação, tocando piano.

1983: Governo de Franco Montoro. O Secretário de Cultura, Jorge da Cunha Lima, resolve fazer inovações e mescla a música erudita à outras atividades artísticas. Cria ofic\n\ninas de teatro, cinema e até circo, além das oficinas de música.

1984: O Festival acontece nos moldes antigos, com os concertos e as oficinas de música. É Governador, Franco Montoro e como Secretário de Cultura Jorge da Cunha Lima.

1985: Ainda no Governo Montoro, entram as parcerias de empresas privadas, como patrocinadoras do Festival.

1986: Último ano do Governo Franco Montoro e seu Secretáriode Cultura, Jorge da Cunha Lima.

1987: Início do Governo de Orestes Quércia

1989: É no Governo de Orestes Quércia, que o Auditório Campos do Jordão, passa a ser chamado: Auditório Cláudio Santoro, em homenagem ao grande músico brasileiro, nascido em 1909, em Manaus, que morreu em 27 de março de 1989, em Brasília, durante o ensaio do concerto que faria em homenagem ao Bicentenário da revolução Francesa.

1993: Governo Fleury. É Secretário de Cultura, Ricardo Otake

1994: Governo Fleury. Continua como Secretário, o Arquiteto Ricardo Otake.

1995: Governo Mário Covas. É Secretário de Cultura, Marcos Mendonça

1996: Governo Mário Covas. Continua como Secretário de Cultura, Marcos Mendonça.

1997: Governo Mário Covas. Continua como Secretário de Cultura, Marcos Mendonça.

1998: O Vice-Governador, Geraldo Alckimin assume o Governo, pois Mário Covas, pede licença para a reeleição. E como Secretário de Cultura, assume Antônio Angarita, substituindo Marcos Mendonça, também de licença, para a reeleição de Deputado Estadual.

1999: 30 anos de festival de Inverno. 20 anos de inauguração do Auditório Cláudio Santoro. E segundo mandato do Governador Mário Covas e do Secretário de Cultura, Marcos Mendonça.

2000: Governo Mario Covas e Secretário de Cultura Marcos Mendonça


Referências: “Campos do Jordão e seu Palácio” de Dr. Fausto Bueno de Arruda Camargo.
Depoimentos de: Dr. Arakaki Masakazu Ciro.
Pesquisa e Texto de: Malu de Alencar.